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Mostrando postagens de 2019

Um personagem mesquinho

Por trás das causas mais justas, escondem-se homens de variada estatura ética e moral. Alguns, a despeito da barba na cara, não passam de moleques. Baruch Blumberg, ora à frente do Fórum Permanente do Audiovisual Sergipe, é destes. Versado na arte de procurar pêlo em ovo com o fim exclusivo de fazer barulho, o coitado resolveu bater de frente comigo, a troco de coisa nenhuma. Cá entre nós, em quinze anos de jornalismo profissional, eu já enfrentei oponentes mais fortes.

Quem o vê na rua não dá nada pelo sujeito. Sempre reticente, fala mansa, mal encara os outros, como alguém com nome sujo na praça. Faz-se de besta. Em verdade, o suposto acanhamento serve de disfarce para uma ambição sem tamanho. A figura apagada é um reflexo da falta de caráter.

O caso do Fórum Audiovisual é exemplar de como os espaços de representação coletiva podem se converter em instrumentos para um fim particular, ou de um grupo restrito. Algo semelhante ocorreu com o sindicato dos músicos de Sergipe, mas essa é …

Um autor imprestável

O desembargador Edson Ulisses de Melo volta a ser mencionado em letra de imprensa. Rico e poderoso, autor de dois livros, ele empurra o pacote para frente sem um pingo de constrangimento. Assim, apesar da serventia pouca, ‘Reflexões cidadãs’ e ‘Sabedoria popular’ ganharão novo lançamento.

A “literatura” do desembargador não vale o esforço de uma página virada. O processo movido contra o jornalista Cristian Góes, ao contrário, será lembrado para sempre – uma façanha involuntária.

As circunstâncias legais do episódio são as mais singulares. Há ali mais imaginação e absurdo do que nas academias de letras encarquilhadas. A crônica ‘Eu, o coronel em mim’, uma ousadia profissional de Cristian Góes, aponta o dedo para o mandonismo malocado sob a toga de uns e outros. Àquela altura, o tema já era oportuno. A redação logrou a sua graça. Por alguma razão misteriosa, no entanto, o desembargador não simpatizou com o pensamento levado à ponta da pena. E obrigou o jornalista a se expor no cadafalso…

Herói de collant e máscara

Tudo indica, o senador Alessandro Vieira guarda um collant de super homem no fundo do armário. Na primeira oportunidade – disso depende o seu sucesso –, ele aparecerá com a malha colorida grudada no corpo, todo fantasiado.

A valentia de comício salta à vista. Não é apenas por teimosia que o senador faz de tudo para colocar o Supremo Tribunal Federal contra a parede. Ao contrário dos pobres mortais, raquíticos de ambição e famintos de sonho, os heróis das histórias em quadrinhos só encontram propósito no confronto com monstros de sete cabeças. Para o ex delegado, a chance de comandar um baculejo, a fim de constranger os ministros do STF, tem o mesmo valor de uma missão sobre humana. Embora a CPI não prospere, ele não desanima, nem por um segundo. O verdadeiro alvo é o humor do populacho.

Nem o figurino, nem o roteiro seguido por Alessandro Vieira são originais. O ministro Sérgio Moro lançou a moda, ainda na condição de um juizinho de primeira instância. A voz das ruas achou graça no co…

O governador me liga

Um belo dia, o telefone toca, inundando a minha vaidade e os ouvidos sujos com uma voz embargada, inconfundível.

– Alô? Quem fala é Jackson Barreto.

O motivo do contato inesperado não vem ao caso, estava relacionado à minha coluna no Jornal do Dia. Mais importante foi a ligação, ela mesma. Lá pelas tantas, o governador me autoriza a afirmar onde fosse: dava toda a atenção do mundo aos meus pitacos.

Muito breve, aquela conversa me estragou inteiro. Durante várias semanas, não perdi a oportunidade de insinuar a minha enorme influência em questões de Estado. Só depois de um tempo, confrontado pela realidade e a incredulidade dos amigos, me dei conta de que o episódio atestava algo mais óbvio: ainda é enorme o prestígio e o status profissional derivado do jornal impresso.

“Ainda”, aqui, é a palavra chave. Em qualquer redação, hoje, a incerteza é uma sensação quase palpável. Os veículos terão de se transformar. Para o bem e para o mal, já estão se transformando. As demissões refletem a bai…

Um brinde aos derrotados

Ninguém jamais perdeu tanto. Rubens Marques, o professor Dudu da Central Única dos Trabalhadores, carrega um baú abarrotado de derrotas nas costas. Também pudera. Adversário de injustiças naturalizadas pelas circunstâncias, o homem não tem a menor chance. Os tempos mudam, o bicho papão adota outros nomes, novos disfarces. Mas Dudu não arrefece, incansável.

A derrota mais recente tem consequência imediata na queda de braço travada pelo bloco progressista, tendo em vista o pleito de 2020. Crítico das alianças firmadas entre o prefeito Edvaldo Nogueira e figuras manjadas da direita provinciana, a exemplo do deputado Laércio Oliveira, o líder sindical deu a cara a tapa numa disputa inglória pelo comando do PT. Levou uma surra perfeitamente previsível. As eleições internas do partido eram favas contadas.

Lá com os seus botões, eu aposto, Dudu jamais esperou ganhar. Ou melhor, em outras palavras, fez de tudo para perder ganhando. Obter o comando do diretório estadual do PT não era plausível…