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Herói de collant e máscara

Tudo indica, o senador Alessandro Vieira guarda um collant de super homem no fundo do armário. Na primeira oportunidade – disso depende o seu sucesso –, ele aparecerá com a malha colorida grudada no corpo, todo fantasiado.

A valentia de comício salta à vista. Não é apenas por teimosia que o senador faz de tudo para colocar o Supremo Tribunal Federal contra a parede. Ao contrário dos pobres mortais, raquíticos de ambição e famintos de sonho, os heróis das histórias em quadrinhos só encontram propósito no confronto com monstros de sete cabeças. Para o ex delegado, a chance de comandar um baculejo, a fim de constranger os ministros do STF, tem o mesmo valor de uma missão sobre humana. Embora a CPI não prospere, ele não desanima, nem por um segundo. O verdadeiro alvo é o humor do populacho.

Nem o figurino, nem o roteiro seguido por Alessandro Vieira são originais. O ministro Sérgio Moro lançou a moda, ainda na condição de um juizinho de primeira instância. A voz das ruas achou graça no confronto entre o abnegado servidor público e um todo poderoso ex presidente da República. Como se sabe, a peleja teve repercussão espantosa nas urnas. Hoje, os delegados de arma no coldre e discurso moralista na ponta da língua ocupam todas as tribunas.

Para azar do senador, entretanto, o tempo fechou na República de Curitiba. As conversas criminosas reveladas pelo site The Intercept colocaram os paladinos da probidade sob uma nuvem pesada de suspeitas. Moro serve de capacho para o presidente. Dalton Dallagnol perdeu a galinha dos ovos de ouro, nunca mais foi pago por uma palestra.

Resta saber se Alessandro Vieira tem alguma carta escondida na manga, além da máscara de vigilante. Por ora, ação e consequência, a sua turma aparece mal na fita.

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