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Um brinde aos derrotados

Ninguém jamais perdeu tanto. Rubens Marques, o professor Dudu da Central Única dos Trabalhadores, carrega um baú abarrotado de derrotas nas costas. Também pudera. Adversário de injustiças naturalizadas pelas circunstâncias, o homem não tem a menor chance. Os tempos mudam, o bicho papão adota outros nomes, novos disfarces. Mas Dudu não arrefece, incansável.

A derrota mais recente tem consequência imediata na queda de braço travada pelo bloco progressista, tendo em vista o pleito de 2020. Crítico das alianças firmadas entre o prefeito Edvaldo Nogueira e figuras manjadas da direita provinciana, a exemplo do deputado Laércio Oliveira, o líder sindical deu a cara a tapa numa disputa inglória pelo comando do PT. Levou uma surra perfeitamente previsível. As eleições internas do partido eram favas contadas.

Lá com os seus botões, eu aposto, Dudu jamais esperou ganhar. Ou melhor, em outras palavras, fez de tudo para perder ganhando. Obter o comando do diretório estadual do PT não era plausível, como demonstra o abismo de votos apurados entre o sindicalista e o deputado João Daniel, vitorioso. Mais importante, talvez, foi lembrar aos donos da legenda que aquela estrela permanece em disputa, apesar de apagada por força de um pragmatismo autofágico.

No fim das contas, o professor Dudu é uma espécie de refém das próprias convicções, passou a vida inteira na trincheira, em vigília, de guarda pelos trabalhadores. Nascido para soldado raso, ele jamais chegará a comandante. Mas, ao contrário de tantos vencedores, sabe bem das razões pelos quais é capaz de empunhar armas. Tudo indica, a consciência tranquila lhe basta.

Ao redigir estar impressões, eu fui tentado o tempo inteiro, propenso como sou a romantizar o “personagem”. Penso ter segurado a onda. Não há heroísmo na derrota. Tampouco pode ser dita feliz toda e qualquer vitória.

Comentários

  1. O partido precisa mesmo é mostrar a cara. Não adianta esconder a estrela por intimidação do anti-petismo. Faltam táticas e estratégias para dar a volta por cima. As disputas internas fazem parte do que se chama democracia. Para Dudu, sendo tarefaa primordial cuidar do movimento sindical, o partido pode esperar. Tanto a CUT, quanto o PT precisam é formar bons quadros para os embates de classe, permanentes, e agora agudos. O partido tem militância, mas a renovação de quadros parece ainda pequena. A renovação de quadros na CUT parece existir, mas a
    qualificação é necessária. Para enfrentar o sistema só com formação de dirigentes e militantes competentes.

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