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Márcio Macêdo não é Dom Quixote

Enquanto escrevo, as lideranças do PT sergipano estão reunidas, a fim de chegar a um consenso: ou bem apoiam a reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (sem partido), abrindo mão do poder de mando na mira dos companheiros de olho gordo; ou pulam do barco de uma vez por todas, dispostos a comprar uma boa briga.

Alguém com uma bola de cristal nesta tarde quente de quinta-feira certamente já teria investigado o resultado do concílio petista, atento aos rumos da sucessão municipal. Para quem, como eu, pouco se interessa por projetos de poder, alheio às artes da adivinhação, entretanto, a pretensão de Márcio Macêdo, disposto a mover céus e terras para tomar o lugar de Edvaldo Nogueira, fala por si mesmo.

Márcio Macedo não é nenhum Dom Quixote, movido por um ímpeto o mais puro, tem razões muito práticas e todo o direito do mundo de sonhar com a Prefeitura de Aracaju. Ele peca, no entanto, ao justificar a própria ambição apontando as contradições da gestão Edvaldo Nogueira, como os entusiastas de uma candidatura petista fizeram ao longo dos últimos meses. Não é prudente apostar na falta de memória. A bem da verdade, a aproximação entre o bloco hoje liderado pelo ex-comunista e figuras como Laércio Oliveira (PP) foi promovida pelo próprio PT, obra e graça de Marcelo Déda em pessoa.

Não pega bem para Márcio Macedo, unha e carne com o presidente Lula, arrotar a valentia dos jovens, a essa altura do campeonato, feito um homem sem história e sem culpa nas costas. Cazuza lamentou o fim das ideologias, berrou atrás de uma pela qual viver. Mas ele era um menino de vinte e poucos anos, cantava impelido pelo coração partido. Márcio Macedo, ao contrário, é político profissional com diversos mandatos. E dos mais pragmáticos.

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